SharonGuerra

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"Pode-se viver assim? Pode-se morrer assim?"

Sharon lança nova guerra contra os palestinos

Declaração do CIO/CWI


"Os Estados Unidos estão tentando mediar uma trégua no Oriente Médio, os estrategistas militares israelenses estão preparando um ataque de grandes dimensões contra as cidades e acampamentos de refugiados palestinos, um ataque ainda mais forte e demorado que a ofensiva empreendida no começo deste mês, segundo funcionários israelenses" (International Herald Tribune, 26/03/2002).

Partiram para esta "grande ofensiva" até mesmo antes de ensaiar o malogrado plano de paz Saudita "e a tentativa de Zinni (enviado dos EUA) de forçar um cessar-fogo na região. Todas as cidades principais na Cisjordânia (Nablus, Jenin, Ramallah) são alvos do exército e dos assassinatos numa tentativa do regime israelense de esmagar um povo inteiro. O exército israelense (IDF) usa armamento antiaéreo contra prédios. A rede elétrica e a infra-estrutura da água estão sendo destruídas. Milhares foram levados presos. Os militares e policiais estão fazendo buscas domiciliares e assassinando, a sangue frio, jovens palestinos, de forma aleatória". "Pode-se viver assim? Pode-se morrer assim?" Pergunta Dr Atari do Hospital de Ramallah.

O Comitê por uma Internacional Operária (CIO) exige a retirada imediata e incondicional de todo o exército israelense da Cisjordânia e de Gaza.

A situação no Cisjordânia foi destacada pela mídia e horrorizou milhões de pessoas no mundo todo. Houve passeatas em muitos paises na Europa, mas foram até pequenas comparadas com as grandes mobilizações nos países árabes do Oriente Médio. A enorme raiva sentida nestes paises pode até ameaçar derrubar os regimes pró-ocidentais no Egito, Jordânia e Arábia Saudita. Os preços do óleo estão subindo como resultado da guerra de Sharon e a instabilidade crescente ameaça a economia mundial. O Irã e o Iraque ameaçaram forçar os paises produtores de óleo (OPEP) a interromper as exportações de óleo aos EUA e ao Oeste. Como resultado destas pressões, o governo norte-americano foi forçado a intervir com o recente discurso de Bush.

O imperialismo é o responsável

Com as mãos manchadas de sangue, o imperialismo norte-americano e seus sócios menores na Europa devem arcar com a responsabilidade por esta espiral bélica. (só agora começam a falar que a região está à beira de um banho de sangue). Os outros culpados são o capitalismo israelense, os regimes árabes, e a liderança palestina. Ao longo de décadas, os métodos dos EUA e do o capitalismo israelense oscilaram entre o uso de repressão militar brutal e "acordos de paz", verdadeiros cálices envenenados, que levaram a traição aos palestinos e sua quase escravização. O motivo é claro. Se houver um estado palestino verdadeiro, a sua existência seria uma ameaça aos interesses estratégicos e econômicos fundamentais do imperialismo na região. Ameaçaria o poder, prestígio e lucros da elite capitalista no Oriente Médio.

Cada bala mortal do exército israelense na Cisjordânia - e até toda bomba suicida que se detona em Israel - é mais uma prova sangrenta do fato de que o capitalismo e o imperialismo não têm nenhuma solução à questão nacional no Oriente Médio. Segue sem solução os problemas tradicionais da terra, dos direitos de acesso a água, o controle de Jerusalém, e o direito de retorno de refugiados, também a segurança econômica e física dos judeus israelenses. Não há como nem começar a resolver estes problemas enquanto à cínica elite capitalista e o imperialismo norte-americano continuarem a ter poder e influencia na região. Para acabar com o seu poder é preciso que haja movimentos de massas do proletariado árabe e os camponeses pobres, os palestinos oprimidos e o proletariado judeu israelense. Quem questiona, ou até ridiculiza, estas propostas, não entende que a realidade sangrenta da região é produto dos interesses do capitalismo. Enquanto a região segue dominada, a paz é impossível e só vão existir mais banhos de sangue.

O Comitê por uma Internacional Operária (CIO) e sua seção em Israel - Maavak Sozialisti - tem analisado detalhadamente o mais recente recrudescimento da violência.

Porém, a explosão da violência durante a última semana coloca ainda mais urgentemente a ameaça de uma guerra ainda mais ampla no Oriente Médio.

O governo de Sharon aproveitou-se da onda de ataques suicidas que começou com o fim da última reunião de cúpula árabe, muito dividida, como um pretexto para relançar a nova ocupação. Sem duvida houve um ambiente de horror entre judeus israelenses reagindo aos recentes bombas suicidas, principalmente o ataque da quarta-feira passada no hotel em Netanya onde 25 pessoas morreram (o pior ataque em números de mortes desde o começo da segunda Intifada) durante a celebração de Páscoa. Dos 415 judeus israelenses mortos ao longo desta segunda intifada, 127 foram mortos neste mês de março. Por tanto, Sharon sentia-se mais confiante para mandar o exercito atacar. Militares falaram de uma "janela de oportunidade" devido à simpatia condolente no mundo todo que os permite retomar a Cisjordânia.

 

Condições desesperadas

Apesar das condições desesperadas enfrentadas pela maioria dos palestinos, e as mortes diárias de seus irmãos, irmãs e pais pelo regime israelense, e ao mesmo tempo em que entendemos as razões pelas quais os jovens palestinos recorrem a estas táticas, o CIO acredita que o método de usar bombas suicidas é uma política incorreta e enganada. É verdade que muitos palestinos acham que a tática de bombas suicidas é um êxito e que conseguiram sacudir Israel. Contudo, em lugar de fazer crescer a oposição contra a ocupação entre os judeus israelenses, esta tática os joga nos braços dos elementos mais reacionários do ala direitista israelense. Além disso, esta tática não terá sucesso contra a força militar opressiva do exército. No final das contas, são os palestinos que vão sofrer mais com esta tática. Sharon declarou que Arafat é "inimigo" e que a Autoridade Palestina é "uma coalizão de terror", diferentemente de Israel, que está "em guerra". Em preparação para esta mais recente ofensiva militar, o governo de Sharon mobilizou 31 mil reservistas do exército - mais que os mobilizados na véspera da Guerra de Golfo de 1991. Declarou estes números como uma advertência aos palestinos e o resto do mundo. Logo após a invasão, o Ministro de Defesa israelense Ben-Eliezer falou no rádio israelense, "Estamos defendendo nossas casas... Vamos defender nossas casas com toda nossa força". Assim são os pronunciamentos públicos do regime israelense, mas a mais recente ofensiva militar objetiva esmagar os resquícios da Autoridade Palestina; e deter, matar ou expulsar os líderes do Hamas, Al-Aqsa e as células de Tanzeem para forçar uma rendição total e humilhante dos palestinos. A ocupação de todas as principais cidades pelo exército israelense - causando centenas de vítimas e envolvendo um nível de brutalidade horrorosa - também é planejado como uma mensagem simbólica para os palestinos de que "o Acordo de Oslo está morto" e a Autoridade Palestina não existe mais. Porém, esta não é uma "solução", e em lugar de reduzir a raiva dos palestinos isto vai, no longo termo alimentar e muito a sua resposta. A ordem de Sharon para invadir a sede de Arafat em Ramallah, confinar-lhe a um quarto de porão sem eletricidade, comida, ou água, indica o claro objetivo de destruir a Autoridade Palestina. Ofereceu Arafat a oportunidade de sair de Ramallah, e deixou claro que nunca poderia voltar como presidente da Autoridade Palestina. Os palestinos interpretarão isto como o primeiro passo para expulsar todos os palestinos da Cisjordânia e de Gaza. É muito pouco provável que Arafat aceite esta "oferta", porque isto seria considerado uma derrota completa e o fim de seu papel como líder palestino. Ao entender isto, e desejando provavelmente ser lembrado como mártir, Arafat declarou, até agora, que o único modo para que ele saísse da sede é se fosse atingido militarmente. Sharon foi ainda mais longe e pediu a prisão de Jibril Rajoub (chefe do Serviço de Segurança Preventivo Palestino) e outras figuras principais na Autoridade Palestina. Foram mortas centenas de polícias palestinos e os seguranças de Arafat. A maioria das delegacias de polícia foram destruídas. A chamada do regime israelense - "Arafat tem que dominar os terroristas" - é uma farsa. Mesmo se Arafat tivesse autoridade e força para tal tarefa ficaria claro que isto é impossível quando cercado de militares israelenses e com a infra-estrutura da Autoridade Palestina destruída. Outra farsa é que Sharon disse que o regime israelense negociará com os moderados uma vez acabados a AP, mas ao mesmo tempo ele persegue os outros líderes da Autoridade Palestina. Sharon é um estrategista muito míope, até mesmo do ponto de vista daqueles setores da classe dominante israelense (e o imperialismo norte-americano) que tiveram esperanças de achar e promover uma camada nova de líderes palestinos mais flexíveis. Publicamente, um dos alvos declarados da re-occupação é destruir as células "terroristas". É a idéia totalmente falsa que de alguma maneira a população palestina pode ser esmagada e acovardada para ficar submissa.

Ao longo da última ocupação militar israelense dos campos de refugiados, no começo de março, houve uma mudança fundamental do ânimo e consciência dospalestinos. Muitos sentiram que não tinham mais nada a perder na luta contra a re-ocupação. Uri Avnery, um ativista pacifista israelense escreveu na International Herald, "Quando um povo inteiro ferve de raiva, se torna um inimigo perigoso, porque a raiva não obedece ordens. Quando existe esta raiva nos corações de milhões, não pode ser desligado ao pressionar um botão," (28/03/2002). Este sentimento é refletido no enorme crescimento do apoio dos palestinos aos ataques suicidas. Antes só o Hamas apoiava essas ações como um martírio religioso, agora há muitos palestinos não religiosos que incorretamente acham que essa é a único forma de derrotar a ocupação israelense. A enorme força do exército israelense resultou em uma redução temporária nos números de ataques suicidas, mas não chega nem perto de destruir as milícias palestinas nem a sua infraestrutura. O Washington Post explicou, "Como os peritos de terrorismo israelenses mostraram, a infraestrutura para um ataque suicida com bomba é só saber fazer bombas e exige equipamento muito básico. Se um cinto de explosivos pode ser montado no quintal ou numa garagem, pois então a palavra de ordem de ' destruir a infraestrutura de terrorismo' começa a soar virtualmente impossível, é mais um slogan que um "plano de batalha."(2/04/2002). O exército israelense (IDF) faz buscas de casa em casa, com métodos cruéis e indiscriminados na Cisjordânia. Antes dos soldados chegarem nas casas palestinas dos milícia, os palestinos geralmente já sumiram. Na verdade, ao falar de objetivar a "infraestrutura de terror", o regime israelense está falando da população palestina inteira. "A estratégia é extrema porque a população é grande. Os militares israelenses têm de ver todo palestino entre as idades de 18 e 60 anos como uma ameaça em potencial. Aproximadamente três milhões de palestinos moram em Gaza e Cisjordânia e aproximadamente 800 mil são homens entre as idades de 15 e 64, segundo os dados da CIA," comentou a agência de notícias on-line Stratfor em um artigo intitulado 'A ofensiva desesperada de Israel' (2/04/2002). Além disso, o número deve ser dobrado porque as mulheres jovens hoje estão entrando nas fileiras dos ataques suicides e das milícias. O regime israelense só pode tentar chegar a uma pausa breve nos ataques suicidas, e com o custo extremamente alto de reocupar o território. Além disso, como o Ministro de Defesa israelense reconheceu recentemente ao Comitê de Defesa de Relações Exteriores do Parlamento israelense: "O terrorismo não pode ser eliminado pelas manobras militares. As operações somente podem tentar confundir os terroristas e reduzir o número de ataques tanto quanto é possível."

 

Oposição de massas

Nas primeiras fases desta reocupação, a oposição de massas dos palestinos estava num nível mais baixo que na ocupação anterior em março. Foi em parte devido ao tamanho da atual operação militar, que foi muitas vezes maior que nas ocupações anteriores. Mas também há uma tendência entre os líderes da milícia a dizer que as pessoas deveriam deixar a luta nas mãos deles (da milícia). Na ausência de uma estratégia de desenvolver a participação de massas na Intifada ao longo dos últimos dezoito meses, pela construção de comitês democraticamente controladas, os palestinos podem tirar a conclusão de que o método de levar a cabo a luta por meio de pequenos grupos armados é o único modo possível. Isto indica a fraqueza das táticas da liderança palestina, que no passado confiou nas táticas de ataques armados individuais e pressão diplomática nos países imperialistas ocidentais para alcançar os seus objetivos. Assim, a maioria dos palestinos ficaram no papel de meros observadores da luta contra o reocupação. A arma potencial mais forte que os palestinos têm é a luta de massas a chamada para ação de solidariedade dos trabalhadores e jovens do mundo todo. Apesar das muitas vítimas depois da operação da IDF em março, o ânimo palestino naquele momento foi muito melhor, precisamente porque havia elementos importantes de oposição de massas à operação da IDF. Se a reocupação continua haverá pressão crescente das bases para organizar protestos de massas contra a IDF. O perigo é que estes protestos, quando surgirem, poderiam ficar sem coordenação, espontâneos e desorganizados, assim enfrentando a possibilidade de contra-ataque e depois isolamento. As táticas erradas da liderança palestina também seguraram o protesto de massas entre palestinos dentro do Israel (até hoje) pelos mesmos motivos. O potencial para uma luta unida dos judeus israelenses e palestinos contra a ocupação ficou claramente comprovado na marcha organizada num posto de fiscalização militar perto de Ramalha na quarta-feira 3 de abril. Quatro mil judeus israelenses e palestinos participaram nesta marcha corajosa e radical, inclusive militantes de Maavak Sotzialisti ('Luta Socialista'), o grupo do CIO em Israel. Houve muitos jovens que nunca antes tinham participado em protestos políticos. A opinião pública girou à direita imediatamente depois da bomba de Netanya. Mas dentro de poucos dias houve entre judeus israelenses muito questionamento de Sharon e dos objetivos do governo na operação militar. O motivo é que fica bastante claro para todos que não há por parte dele nenhuma estratégia política ou militar que é capaz de "resolver" a crise. Divisões abertas apareceram na classe dominante israelense, com Shimon Pérez pedindo o fim da prisão efetiva de Arafat e seu isolamento dos diplomatas internacionais. Uma nova petição foi assinada por intelectuais exigindo a retirada imediata dos Territórios Ocupados sem condições prévias. Junto com a ausência de qualquer estratégia clara do governo, a deterioração da economia provoca oposição ao governo Sharon. Os últimos cortes do orçamento foram de $1.5 bilhões (claro que não foram tocados os gastos militares). O shekel - a moeda de Israel - já está a seu mais baixo nível contra o dólar. O governo está prometendo atacar mais ainda aos trabalhadores israelenses e a juventude pelo novo imposto para financiar a guerra.

 

 

Mundo árabe em chamas

O resto do mundo árabe incendiou-se por causa desta última ocupação. Na segunda-feira, 1° de abril a CNN informou que mais de um milhão de egípcios se manifestaram contra a ação israelense na Cisjordânia, apesar do governo proibir marchas deste tipo e reprimir com brutalidade. Houve marchas na Síria, Líbano e Jordânia. No Iêmen, o presidente pró-norte-americano se retirou para a fazenda no Mar Vermelho. Walid Kazziha, professor da Universidade Americana no Cairo, ecoou a visão comum a todos os comentaristas árabes quando disse que nunca houve mais raiva contra o imperialismo norte-americano, Israel e os líderes árabes, "Nas emissoras árabes, a primeira reação de entrevistados na rua é: 'O que é estes governos árabes e estes líderes árabes estão fazendo?" (Financial Times 4/04/2002).

A pressão de massa contra os líderes árabes está começando a se expressar em divisões maiores entre eles. A última reunião da cúpula árabe em Beirute foi um total fracasso do ponto de vista deles. Um terço dos líderes árabes não foram. Particularmente notável era a ausência de Rei Abdullah da Jordânia e o Presidente Mubarak de Egito. Os seus regimes têm as ligações mais íntimas com Israel e o imperialismo norte-americano da região e portanto o potencial para insurreições de massas contra eles é maior. Na Jordânia a maioria da população é palestina. O regime egípcio e o jordaniano estão desesperados para aparecer ‘apoiando’ a causa palestina. Por motivos internos eles (o governo egípcio e da Jordânia) decidiram não ir para a reunião de Beirute, mas tentaram compensar por meio de mostrar "solidariedade" com os palestinos depois de Arafat ter sido impedido de ir. Mubarak foi obrigado a romper ligações não-diplomáticas entre Egito e Israel. A Síria enviou 20 mil homens de suas tropas ao vale de Beka e os lutadores do Hezbollah começaram a lançar foguetes / mísseis sobre o norte de Israel pela primeira vez desde a retirada da IDF do sul de Líbano em 2000.

A cúpula árabe novamente destacou o destino dos milhões de refugiados palestinos que foram deslocados das suas casas em 1948 pelas milícias israelenses no território que era então a Palestina. O tema ganhou destaque durante a última explosão de violência. O plano de paz saudita mexe com este tema, mas o motivo mais importante é porque os palestinos temem que vai haver uma nova onda de refugiados, contados em centenas de milhares.

O tema dos refugiados é dos mais complicados no conflito israelense-palestino. Depois do barbarismo do Holocausto contra os judeus na Segunda Guerra Mundial, muitos fugiram ao que eles consideraram a sua pátria. Porém, a nova entidade israelense foi conquistada na base da dispersão violenta da população palestina - um crime iniciado pela elite israelense para o qual os trabalhadores judeus israelenses têm que pagar com o banho de sangue permanente.

O CIO apóia o direito de retorno dos refugiados palestinos. Mas isto nunca será conquistado nos marcos do capitalismo. Só a Federação Socialista do Oriente Médio pode prover os recursos econômicos e sociais para absorver os milhões de palestinos que teriam o direito de voltar com um padrão de vida digna garantida para a população inteira. Só uma Confederação socialista da região, com Israel socialista ao lado de Palestina socialista, teria as condições políticas para negociações autênticas entre os representantes dos palestinos e os judeus israelenses e que poderia respeitar os direitos nacionais, religiosos e étnicos de todos os grupos envolvidos.

 

 

Direito de retorno

Apesar do discurso radical dos regimes árabes, estes não têm nenhum interesse nos direitos dos refugiados. Os acampamentos de refugiados palestinos foram mantidos durante mais de cinqüenta anos em países como Síria, Líbano e Jordânia para agir como uma válvula de segurança para o descontentamento das massas árabes. A existência dos acampamentos significou que os regimes árabes poderiam apontar a um inimigo estrangeiro - Israel - para desviar a atenção do proletariado árabe e camponeses pobres dos problemas em casa.

Os regimes árabes foram surpreendidos e ficaram enfurecidos pela atitude do imperialismo norte-americano diante da última e mais brutal reocupação. Apesar de aprovar a resolução pedindo a retirada da IDF da Cisjordânia ao Conselho de Segurança da ONU, está claro que Bush deu a luz verde à invasão israelense. Nos primeiros dias da ocupação, Washington mostrou apoio aberto às ações de Sharon quando Bush explicou que Israel teve "o direito de se defender". O imperialismo norte-americano é responsável pelas mortes na Cisjordânia na última semana tanto como o regime israelense é responsável para os milhares de palestinos massacrados pela milícia da Falange Cristã reacionária nos campos de Sabra e Chatilla durante o conflito libanês dos anos oitenta. Bush e os porta-vozes fizeram os comentários breves e descaradamente vazios sobre a necessidade de moderação e "manter o caminho à paz aberto". O problema para Bush é que esta sua propaganda política lhe desacredita totalmente na situação de guerra nos olhos dos palestinos, árabes, de seções crescentes de trabalhadores judeus, e até dos trabalhadores no mundo inteiro. A verdadeira posição do imperialismo norte-americano já é revelada com total descaramento.

Há divisões dentro da administração Bush em torno do conflito no Oriente Médio. O Departamento de Estado entende os perigos mais claramente e coloca a necessidade de algum tipo de iniciativa por parte do imperialismo norte-americano. Porém, a Casa Branca e o Pentágono têm a palavra decisiva neste tema. Não há nenhuma dúvida que os indivíduos mais reacionários dentro da administração Bush, como Wolfowitz e Cheyney, apóiam totalmente as ações de Sharon como também a decisão de esmagar a Autoridade Palestina. Até Colin Powell, o tal "pomba", mandou Arafat ‘lidar com o terrorismo’. Até mesmo do ponto de vista dos interesses da sua própria classe, esta posição é, no mínimo, muito burra, porque só serve para enfurecer as massas árabes e impossibilita os regimes árabes de apoiarem ou ficarem neutros quando os EUA avançam com os planos de atacar o Iraque no segundo semestre deste ano.

Porém, poucas horas depois da reocupação da IDF, começou a crescer a pressão sobre o imperialismo norte-americano. Mubarak do Egito e Abdullah de Jordânia seguramente explicaram aos norte-americanos sem papas na língua que se o imperialismo norte-americano não intervir no conflito haveriam protestos de massas que poderiam possivelmente acabar com os seus governos e levar ao poder regimes fundamentalistas islâmicos. O governo norte-americano teme que isto possa acontecer na Arábia Saudita também. A pressão enorme dos regimes árabes chamados "moderados" foi o motivo da rápida mudança de discurso de Bush no conflito quando dias depois falou da retirada da IDF, quis paz por negociações levando em conta as antigas resoluções da ONU, e despachou Colin Powell para o Oriente Médio. Powell logo fez comentários sobre a importância de concessões aos palestinos e de um Estado próprio. Mas a maioria dos palestinos verá Powell como ele realmente é, o representante cínico do imperialismo norte-americano. Afinal de contas, Powell e todos os outros representantes de imperialismo deram boas-vindas ao mini-estado podre e corrupto da AP que foi concedido aos palestinos pelos acordos de Oslo.

Políticos norte-americanos também lançaram uma campanha pública chamando Bush a condenar a invasão e pedir a retirada da IDF. Estão claramente atentos ao fato de que a maioria dos eleitores simpatiza com os palestinos oprimidos. Centenas de milhares se manifestaram pela Europa toda ao longo das últimas semanas. Anti-capitalistas como Bové de França, e vários outro da Europa cruzaram as linhas israelenses e marcharam com Arafat em Ramalla.

Em parte, a estabilidade de alguns países europeus é ameaçada porque muitos têm grandes populações árabes, palestinas e muçulmanas. Em Marselha, Paris, Bruxelas e Antuérpia houve ataques incendiários premeditado em sinagogas e ameaças de ataques nos bairros judeus. Os políticos da União Européia não sentem compaixão nenhuma pelos palestinos mas este fator contribuiu para que eles pedissem aos norte-americanos que tentem pacificar o conflito.

O discurso de Bush não representa uma mudança fundamental na posição do imperialismo. Mencionou "terror" e "terrorismo" mais de 50 vezes. Responsabilizou Arafat. Advertiu regimes como Síria e Irã para ficar fora do conflito. Na verdade, Bush disse que um "acordo de paz" estaria na mesa e, assim como em outras vezes, disse que "ou se está conosco ou contra nós". É muito parecido aos ultimatos que Sharon colocou para Arafat e os palestinos.

 

 

Pausa temporária

É possível que a visita de Colin Powell ao Oriente Médio possa conduzir a uma pausa temporária na violência e a probabilidade de retirada da IDF das cidades palestinos. Pode haver até mesmo algumas negociações temporárias. Porém, a intervenção norte-americana é muito tarde e muito tímida. Cada iniciativa imperialista "nova" se afunda porque o capitalismo é incapaz de enfocar os temas centrais por causa da memória dos últimos massacres. O nível de raiva contra o imperialismo norte-americano e o regime israelense é tão grande no Oriente Médio que os regimes árabes talvez não consigam segurar a onda de protestos. Se Arafat fizer o tipo de concessões que recusou nas negociações com Clinton e Barak, ele enfrentará a obscuridade política.

A "solução" de Sharon para a ocupação da Palestina provavelmente é manter a reocupação por um longo período, e impor um "acordo" unilateral - se é possível com o apoio de algum pateta palestino. Vai dizer "aceite isto ou fique sem nada!". Isto foi indicado nas últimas discussões do governo sobre a ‘prisão’ na prática de Arafat na sede de Ramalla. Nestas discussões, o Tenente General Shaul Mofaz, do exército, opinou que a meta atual era forçar Arafat a aceitar o cessar-fogo com as condições ditadas pelo enviado norte-americano Zinni e depois começar as negociações. Sharon respondeu que "Lá não vai ter nenhuma negociação diplomática"(Washington Post, 02/04/2002).

Ao final, a ocupação indefinida não é uma opção. Os custos políticos e militares para a classe dominante israelense seriam altos demais. Provavelmente conduziria a uma separação unilateral de Israel da Palestina, com a declaração de novas fronteiras e em condições muito piores das que foram esboçadas antes.

Como o CIO já explicou, esta não seria uma solução viável porque conduziria a cada vez mais protestos palestinos (dentro e fora de Israel) como também motins enormes no mundo árabe, abrindo assim o caminho para a limpeza étnica dos palestinos morando em Israel e uma nova guerra árabe-israelense.

A situação explosiva no Oriente Médio, exacerbada pela estupidez de imperialismo norte-americano e a classe dominante israelense, inevitavelmente conduzirá a guerras e revoluções. Os socialistas e ativistas trabalhadores na região enfrentam a luta para construir um movimento por uma Federação socialista no Oriente Médio como a única saída da crise permanente, conflitos e ódio étnico.

 

 

O CIO luta por:

 

Retirada imediata de todas as forças israelenses de todos os Territórios Ocupados - Gaza e Cisjordânia! Pelo fim da agressão contra o palestinos!

 

Uma luta de massas na região toda contra o imperialismo e o capitalismo - a raiz do conflito!

 

Apoio ao direito dos palestinos de resistir às forças israelenses de ocupação! Por uma luta de massas por uma autêntica libertação nacional e social! Por Comitês de base populares, democraticamente controlados para dirigir a luta. Pelo direito destes comitês organizarem a defesa armada.

 

Pela mobilização dos trabalhadores e jovens internacionalmente para ajudar a luta do palestinos pelos direitos democráticos, nacionais e sociais e por uma solução socialista no Oriente Médio!

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Pelo direito de autodeterminação dos palestinos, inclusive com um estado independente! Por uma Palestina socialista e um Israel socialista, dentro de uma livre Confederação socialista do Oriente Médio, com plenos direitos para todas as minorias.

 

Pelo fim da guerra de re-ocupação de Sharon e o governo capitalista reacionário! Pelo fim do uso de soldados israelenses como carne de canhão pela classe dominante israelenses e pelos chefes militares. Pelo o direito de todos os soldados e reservistas de recusar-se a servir nos Territórios Ocupados.

 

Pela luta conjunta dos jovens ativistas e trabalhadores judeus israelenses e palestinos israelenses contra a agressão de Sharon e a ocupação! Pelo fim do racismo e discriminação institucionalizado contra os palestinos israelenses. Para uma luta do proletariado israelenses - judeu e palestino - para derrubar o capitalismo.

 

Pelo fim de desemprego e pobreza de massas! Fim da opressão política e econômica do capitalismo israelense e palestino. Mais gastos públicos. Por uma economia socialista democraticamente planejada que poderia transformar os padrões de vida dos palestinos e israelenses.

 

Pela luta das massas nos estados árabes contra as elites árabes capitalistas, corruptas e reacionários! - Por um Oriente Médio socialista!

 

05/04/2002