Mulheres

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Meninas sauditas, sem véu,
não são salvas e morrem em incêndio
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Quinze meninas morreram em um incêndio numa escola em Meca, na Arábia
Saudita, porque a polícia religiosa do país as teria impedido de deixar o
prédio em chamas.

Os policiais teriam alegado que elas não estavam vestidas de acordo com a
lei islâmica e, portanto, não podiam sair à rua.

Outras 50 meninas ficaram feridas no incêndio enquanto mais de 700 de seus
colegas foram salvos pelos bombeiros.

Os meios de comunicação e familiares das vítimas mostraram-se furiosos com a
morte das garotas no incêndio que atingiu uma escola em Meca, cidade sagrada
para o islamismo, na segunda-feira (11). A maior parte das meninas morreram
pisoteadas quando tentavam fugir do local.

O jornal "Al Eqtisadiah" disse que os bombeiros se desentenderam com membros
da polícia religiosa, também conhecidos como mutaween, depois de terem
tentado manter as meninas dentro do prédio em chamas porque elas não usavam
lenços na cabeça e nem os abayas (vestidos negros), obrigatórios para as
mulheres do país.

O "Saudi Gazette", uma publicação em língua inglesa, disse em sua reportagem
de capa hoje que, segundo testemunhas, membros da polícia, conhecida como
Comissão para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício, impediram homens
que tentavam ajudar as meninas e advertiram que seria um "pecado chegar
perto delas".

Uma autoridade civil disse ao "Al Eqtisadiah" ter visto três membros da
polícia religiosa "espancando as garotas para impedi-las de sair da escola
porque não usavam os abayas".

O pai de uma das meninas mortas disse que os vigias da escola se recusaram
até mesmo a abrir os portões a fim de deixar que as garotas saíssem, afirmou
o "Saudi Gazette".

Os temidos mutaween patrulham as ruas do reinado conservador com bastões e
zelam pelo cumprimento das regras de vestir, pela segregação sexual e pela
realização das orações na hora certa. Os que desobedecem podem ser
espancados e presos.


Reuters, em Riad (Arábia Saudita)

15/03/2002 - 19h51